sexta-feira, 18 de novembro de 2011


Quando tinha 10 anos gostava muito de declamar poesias, ficava sempre orgulhosa quando todos ficavam me escutando, e sempre gostei de poesias que causasse impacto e transmitisse reflexão de alguma forma.
Buscando um poema para enviar ao um amigo, encontrei a primeira poesia que declamei em publico, que casualmente era o dia que meu querido padrinho estava presente, nunca vou esquecer seus olhos cheios de lagrimas, quando vi sua emoção tive a certeza que escolhi a poesia certa.
Ele era um pastor da igreja Luterana, com profunda relação com Deus e pela humanidade.
Hoje depois de 4 anos de sua morte, presto esta homenagem a ele, tenho certeza que de onde estiver vai lembrar deste lindo momento em nossas vidas! segue a bela poesia:






S.O.S DE UM POETA
Senhor!...
Escuta o grito, aflito, desesperançado do poeta apaixonado, exaltador da beleza.
O que vai fazer o poeta?
Quando o motivo de sua grandeza vira miséria, agressão?
Ouvindo as gentes das ruas, parques, das construções, monta poemas perfeitos, ritmados, leves, consistentes.
Transfigura a realidade, para que o leitor exausto possa ser gente outra vez.
O que vai fazer o poeta?
“essa gente sem graça”
Só fala em penúrias, fome, desilusão?
Seguir outras gentes, dotadas de astucia, sagacidade:
E beber de seu conteúdo?
Para da fome tirar a poesia, da miséria valores nobres.
A revolta não entender, a plebe deixar que chore...
O que pode fazer o poeta?
-“afinal, ninguém tem culpa, é o destino dos desgraçados!...”
Abafar sentimentos quiméricos?
Dormir... Gritar... Escrever... Para quem:
Palavras não mudam rumos,
Não acalmam contrações da fome,
Não tapam frestas de barracos,
Não imunizam das doenças.
O que pode escrever o poeta?
-“Palavras só podem, quando em cantigas de ninar... Acalmam os inocentes indefesos”...
- E é de palavras, senhor o nosso acordar diário!
E este corpo perecível com o qual nos dotastes.
Senhor, responde!
Como mante-lo?
No frio, na sede, na dor:...

                               Mariza de Rose



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